No dia 25 de outubro de 1975, morreu o jornalista Vladimir Herzog, assassinado, sob tortura, nas dependências do DOI-CODI em São Paulo. Nesta página, a Fundação Perseu Abramo quer prestar sua homenagem a Vlado, evocando as várias facetas desse homem íntegro, fiel às suas convicções, do jornalista competente e responsável, do homem apaixonado por todas as manifestações culturais, do amigo leal, cuja falta todos nós, que com ele convivemos, continuamos a deplorar.A par disso, nossa intenção é também rememorar a reação que se sucedeu: a indignação que uniu, primeiro a categoria dos jornalistas, e, logo a seguir, os vários segmentos da população numa onda crescente de revolta que teve como conseqüência a denúncia pública, no Brasil e no Exterior, da arbitrariedade do regime militar, abalando de forma decisiva a estabilidade do governo ditatorial.Para contar essa história foram utilizados:
1. Depoimentos de pessoas que tiveram participação nos acontecimentos;2. Registros jornalísticos da época.A maioria dos depoimentos foi feita especialmente para esta página, outros foram extraídos de relatos já publicados em jornais, revistas ou livros.
Quanto ao material jornalístico, optamos por oferecer a edição completa do número especial do jornal Unidade (nov/75), dedicado inteiramente ao “caso Herzog” e que nos foi cedido gentilmente pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo.
Queremos acentuar a importância, entre outros, do manifesto “Em nome da verdade" (Unidade nº6), assinado por 1004 jornalistas de todo o país, em que pela primeira vez naquele período de repressão, uma categoria profissional ousou contestar publicamente a versão oficial de suicídio que as autoridades queriam impor para explicar a morte de Vlado.A repercussão nacional e internacional do manifesto foi imensa, intensificando significativamente o processo de resistência ao governo ditatorial brasileiro.
Zilah Abramo25/10/2000

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